Confira entrevista com a vilã de Sangue Bom - Giulia Gam

03/11/2013 14:39

RIO DE JANEIRO - Quando foi convidada para um dos principais papéis de 'Sangue Bom', Giulia Gam sabia que Barbara Ellen era do tipo que faria qualquer coisa para se manter na mídia. No entanto, a atriz ficou surpresa com a criatividade dos autores da novela das 19h que terminou na sexta-feira (1).

Além de se divertir muito em cena, a decadente atriz explorou todo o potencial artístico da estrela.

'A Barbara foi além das minhas expectativas. Ela viu coisas em mim que eu nem imaginava que podia fazer. Foi uma personagem teatral no meio de uma novela que me proporcionou muitas conquistas como atriz e como artista', contou ao Famosidades.

Ao contrário do papel escrito especialmente para ela, Giulia não se preocupa em se manter na mídia a qualquer preço e diz que sempre que se expões é em prol de um projeto.

'Não tem o menor sentido eu dar uma entrevista ou aparecer em um lugar se eu não tiver um bom trabalho para divulgar. Minhas opções foram opostas. Nunca busquei a fama, o sucesso imediato', garantiu.

Apesar disso, a loira não critica quem vive buscando seus cinco minutos de fama e ressalta que é preciso ter um enorme talento para despertar o interesse da imprensa. Giulia citou Madonna como exemplo de pessoa sem talento que conquistou o respeito das pessoas e construiu um império.

'Eu tenho uma admiração muito grande pela Madonna porque ela não é uma grande cantora. Ela não é um Michael Jackson, mas tem um talento tão grande e uma antena tão ligada de estar sempre na frente de seu tempo... Isso foi o que tornou a tão genial', analisou.

Durante o papo, a atriz falou ainda de sua relação com a imprensa, da novela que virou seu divórcio com Pedro Bial e de como é criar um filho adolescente.

FAMOSIDADES - A Barbara Ellen se tornou um tremendo sucesso. Podemos considerar que é uma das maiores personagens da sua carreira?

GIULIA GAM - Com certeza. Eu estou vivendo um momento muito especial. A Barbara foi além das minhas expectativas. Ela viu coisas em mim que eu nem imaginava que podia fazer. Foi uma personagem teatral no meio de uma novela que tem me proporcionado muitas conquistas como atriz e como artista.

É muito difícil classificar a personagem. Ela fez maldades, mas estava longe de ser uma vilã; também não dá para dizer que é uma mocinha... Deve ter sido muito complicado criar uma linha a ser seguida diante de tanta complexidade, não?

Eu não tenho palavras para descrevê-la. Foi um personagem muito rico e muito bem escrita. Ela tinha uma partitura de altos e baixos, intenções e quebras de ritmo. Precisei estudar bastante para dar uma boa forma para que, dentro dessa loucura, ela parecesse crível diante do público. Ela simbolizou todas as fantasias que a gente tem sobre o estrelato, o glamour. Como atriz, tenho que corporificar essa ideia. Bárbara tinha esse mix: ao mesmo tempo em que ela era muito engraçada, era absolutamente cruel e sem nenhuma moral. Ela possibilitou nuances e mergulhos. A Bárbara era quase uma personagem de quadrinhos

Você se divertiu gravando essas loucuras?

Eu me diverti muito mais assistindo. Eu não acreditava quando via as cenas. A gente gravava sério porque as personagens acreditavam no que elas estavam vivendo. Infelizmente, não consegui ver muita coisa porque a gente gravava muito. Só via algumas coisas no computador. É uma pena porque acho muito importante a gente ver o que está indo ao ar para saber como as coisas estão caminhando.

A Barbara Ellen morria de medo de ser esquecida pelo público e pela mídia. Você sofre desse problema?

De forma alguma. Não tenho essa preocupação. Deve ser muito difícil para alguém que vê a exposição como um prêmio. O que me deixaria chateada seria o fato de ver que o meu trabalho não foi eternizado de alguma forma.

Já cruzou com algumas Bárbaras na vida real?

Graças a Deus, não. Isso tem muito também de um certo mítico, de uma imagem que a gente tem de Hollywood. A novela é uma metalinguagem ao próprio meio, tem uma certa autocrítica aos próprios personagens e autores. O tipo de humor proposto foi muito inteligente. Mas essa foi só uma parte da novela que simboliza essa perseguição frenética de se manter na mídia.

Você acredita que exista uma maior necessidade de aparecer hoje?

Acho que a novela discutiu um pouco isso. A forma como você lida com a imagem, as histórias que você cria a partir disso... Esse mundo virtual, que globaliza e junta as pessoas, acabou com os encontros reais, que passaram a existir naquele ambiente.

Falando em mundo virtual, você tem perfil em rede social?

Eu tenho Facebook, mas uso apenas para manter contato com amigos. Ele deixou o e-mail obsoleto. Então, tive que aderir. Não coleciono amigos. Uso apenas para me informar. Estou longe de ser uma pessoa conectada. Preciso estar off line para trabalhar, por exemplo.

Qual a sua opinião sobre as pessoas que vivem em busca dos seus cinco minutos de fama?

Essas escolhas são completamente diferentes das minhas. Eu vim de um meio ou uma geração ao contrário. Meus pais eram intelectuais, eu fui para o grupo do Antunes Filho, para mim o valor é do trabalho. É ele que tem que ser reconhecido. Não tem o menor sentido eu dar um entrevista ou aparecer em um lugar se eu não tiver um bom trabalho para divulgar. Minhas opções foram opostas. Sempre busquei que pessoas não fossem do meio, morei em São Paulo. Hoje em dia é mais difícil. Na minha época de atriz de 20 e poucos anos não existia nem paparazzo. Nunca busquei a fama, o sucesso imediato. Sempre existiram pessoas emergentes, mas não haviam tantos canais para ela se divulgarem.

Você se sente frustrada de pessoas sem nada para mostrar alcançam o sucesso enquanto outras extremamente talentosas não conseguem espaço para mostrarem seus trabalhos?

Eu imagino que é bastante frustrante você se dedicar a carreira e não obter retorno. Mas, ao mesmo tempo, as pessoas para se manterem na mídia elas têm que ter um tipo de talento. Eu tenho uma admiração muito grande pela Madonna porque ela não é uma grande cantora. Ela não é um Michael Jackson, mas tem um talento tão grande e uma antena tão ligada de estar sempre na frente de seu tempo... Isso foi o que tornou a tão genial. Tem gente que consegue alguns minutos de fama e são rapidamente esquecidas. Mas, tem gente que tem esse coisa de se manter na mídia. E isso é um talento.

Como é sua relação com a imprensa? Ter sua vida particular exposta na mídia, como o fim de seu casamento com o Pedro Bial, te incomoda?

Vocês conhecem, provavelmente, uma relação minha. Quantos amores, que eu tive, vocês conhecem? A questão com o Bial tornou-se pública por causa do meu filho. Fora ele, vocês conhecem alguma outra pessoa? Quando eu era uma atriz de teatro, a entrevista girava em torno da função do meu trabalho. Naquela época, para você aparecer em uma coluna social tinha que estar fazendo realmente algo muito interessante. Aparecer era realmente um prestígio. No mundo de hoje, o que vende mais é a vida pessoal, paparazzi e foto flagra. Isso é uma questão de mercado. Esse mercado, particularmente, não me interessa. Não tenho energia para lidar com isso. Agora, sempre tive uma excelente relação com a imprensa. Posso pecar às vezes por me abrir demais em momentos em que a imprensa não está interessada em saber o que eu penso ou estou fazendo, mas isso é normal. Sempre me senti apoiada na questão do meu filho. Agora, eu posso mudar completamente depois da Barbara Ellen. Quantas atrizes ficam loucas, arrumam namorados jovens, posam nua... Depois da Barbara, tudo pode acontecer.

Você citou o trabalho dos paparazzi. Como você lida com a presença de profissionais fotografando sua vida íntima, em um momento que você não está trabalhando e não tem nada a divulgar?

Como eu falei, os paparazzi estão na função deles. Existe um mercado para isso. Só acho complicado lidar com isso quando você está numa situação delicada como uma separação dolorosa ou a morte de alguém. Se não invadir meu espaço de forma grosseira, não me incomoda.

Seu filho, Theo, está com 16 anos. Como é ser mãe de um adolescente?

Eu sempre digo que filho é um espelho. E a adolescência de um filho serve para te testar, porque eles nos questionam o tempo todo, sobre todas as coisas. Eu procuro ser o mais honesta possível com ele para manter um elo de confiança e respeito. É uma parceria. Mas sempre deixando claro que quem manda sou eu. Porque o intuito de criar uma pessoa é aprender a lhe dar limites.
Fonte:  http://goo.gl/ee7WsW