Fantástico reprisa 'A vida como ela é' nos cem anos de Nelson Rodrigues

19/08/2012 16:46

Nos cem anos do nascimento de Nelson Rodrigues, o Fantástico faz uma homenagem ao homem que retratou como ninguém, a vida do brasileiro comum. Os conflitos familiares, os sentimentos reprimidos, as pequenas perversões.

 

Com direção de Daniel Filho, está de volta ao Fantástico uma série que marcou época, nos anos 90. Vamos entrar agora no universo de Nelson Rodrigues. Na vida como ela é.

‘Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino’, escreveu Nelson Rodrigues, o cronista, jornalista e dramaturgo.

Nelson Rodrigues escandalizou com suas palavras. “Eu esperei tanto por esta bofetada. Agora sei que tu me amas”

“Nem todas as mulheres gostam de apanhar. Só as normais. As neuróticas reagem. E os homens não gostam de bater”, conta o cronista.

Se estivesse vivo, ele completaria 100 anos esta semana. Para comemorar a data, o Fantástico vai reprisar a partir do próximo domingo episódios de ‘A vida como ela é’, série baseada em crônicas que Nelson escreveu para o jornal ‘Última Hora’.

Tem uma geração que não conhece e vai ter o primeiro contato agora com Nelson Rodrigues.

 

"Como que você apresentaria Nelson Rodrigues para esta geração que não conhece direito, não teve muito contato?", pergunta Renata Ceribelli ao diretor Daniel Filho. 

“Jovens, com vocês: Nelson Rodrigues!”, brinca Daniel Filho.

Para alguns, um obsceno. Para outros, um dos maiores e mais revolucionários escritores do país. “Ele tirou aquela família protocolar do álbum de família. E mostrou por dentro. Com suas doenças. Até hoje a gente fica chocado com o Nelson”, afirma Maitê Proença.

E, sobre a morte,um dos temas preferidos, ele tinha uma certeza: “Nós não morreremos nunca. E não há nada mais irreversível que a alma humana”.

Eternidade garantida em obras e frases. ‘Se cada um soubesse o que o outro faz entre dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentaria’. ‘Não existe família sem adultera’. E tem ainda a clássica: ‘Dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro’.

Uns pensam, outros riem. Muitos ainda se escandalizam com o que ele disse e escreveu. “O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca”, afirma.

Sempre provocativo, nada que Nelson Rodrigues escreveu chamou mais atenção do que suas peças de teatro. “Em teatro, que me perdoem os outros, eu acho difícil ter alguém que faça peças mais fantástica do que as de Nelson Rodrigues”, afirma Daniel Filho.

“Chegar na televisão foi para todos nós e ainda continua sendo uma coisa que seria contraria a ele porque se todos gostarem do programa ele ficará chateado porque uma das frases dele era: toda unanimidade é burra”, brinca.

“A gente vai se modernizando, mas nossas questões são as mesmas. As questões de afeto, de amor, de ódio, de tesão”, afirma Marcos Palmeira.

Renata Ceribelli pergunta ao diretor Daniel Filho: "O que você acha que Nelson Rodrigues gostaria que essa série dele provocasse agora no Fantástico?"

“Vaiem. Ele quer que vaiem. Pode vaiar. A vaia é a manifestação mais importante e mais sincera. O aplauso é hipócrita. Eu prefiro a vaia”, afirma Daniel Filho.

“Eu quero que gravem no meu tumulo a seguinte frase: Aqui jaz Nelson Rodrigues, que foi assassinado pelos imbecis de ambos os sexos”, afirmou o cronista.

Fonte: http://glo.bo/PvIsHP