Giulia Gam, aos 46 anos, diz que gostaria de ter mais um filho e ficaria animada com um convite para posar nua

01/09/2013 18:37

De acordo com os astros, o capricorniano é pessimista. Mas se dependesse do bom humor de Giulia Gam, de 46 anos, as estrelas teriam que se reinventar. Gargalhando ao fim de cada frase, a italiana que cresceu em Penápolis, no interior de São Paulo, e se considera uma moleca, parece nas nuvens quando fala de sua trambiqueira Bárbara Ellen em “Sangue bom”. Com 30 anos de carreira, a mãe de Theo, de 15, de seu casamento com o jornalista Pedro Bial, jura que nunca pensou tanto em cuidar do corpo como atualmente, lamenta a falta de oportunidade de ter mais um filho e confessa que se animaria se recebesse um convite para um ensaio nu em uma revista masculina.

Canal: Em “Sangue bom”, você trabalha em um núcleo com atores muito novos. Dos seis protagonistas, o mais velho tem 28 anos. O fato de as produções investirem cada vez mais em um elenco jovem preocupa você?

Giulia: Estou no meio dessa questão. Não penso mais em fazer mocinhas. Acho que os autores até estão escrevendo protagonistas mais velhos, como o Manoel Carlos. A própria Maria Adelaide (Amaral, autora da novela) tem personagens bacanas, de até 80 anos. Não vê a Carmem Verônica (Karmita Lancaster), uma mulher ativa como a Bárbara, que seduz os homens? Acho que o ator só melhora com o tempo. Você vê muitos mais velhos ainda lúcidos. É um grande ganho escrever papéis para mulheres como Marisa Orth e Letícia Sabatella, em que elas apareçam mais poderosas, e não assexuadas. O problema é que a TV, às vezes, peca pela falta de memória.

As novas tecnologias e a TV em alta definição deixam as atrizes muito mais expostas. Você tem neurose com o corpo e a beleza?

Era muito nova quando comecei e não ficava pensando muito nessa questão. Usei o meu corpo para os personagens. Agora que bate mais a preocupação. Com 46 anos, é uma mudança muito grande. As coisas caem, ficam flácidas. Agora está pintando uma vaidade. Não sinto vontade de fazer plástica, mas se alguma coisa incomodar muito, o que ainda não aconteceu, quem sabe? Várias vezes pensei em diminuir os seios. Não sei se vou ter coragem. O negócio é ficar bem de acordo com a idade que estou. Tenho medo dessas intervenções violentas, como lipoaspiração. E de ficar com um rosto em que você não se reconheça. Estou vendo vários tratamentos que podem dar uma segurada, como acupuntura. O negócio é ter uma boa endocrinologista, nutricionista e dermatologista.

O que você faz para se cuidar?

Quando a gente faz muita dieta, uma hora o corpo não emagrece mais. Tem que ter disciplina. Tive problemas hormonais que me engordaram e, estressada, acabo inchando. Então tento fazer exercícios aeróbicos. Faço transport e, quando dá, nado. E o pilates me ajudou muito a ter postura. Mas estou satisfeita dentro do possível. É toda uma engenharia para manter esse “corpitcho”. Tem que se pensar muito no HD, mas se ficar escrava disso, você fica desfigurada. O negócio é investir na beleza interior.

Hoje você aceitaria fazer um ensaio nu?

Teria que acreditar no conceito. Não é o ensaio que querem ver, mas o teu corpo. Não sou uma playmate. Mas acharia interessante um convite para posar nua. Seria inusitado. Isso me instiga, mas teria que pensar no bônus e no ônus. E, antigamente, posar era mais pelo glamour. Depois virou algo mais para quem está no começo da carreira. Vamos fazer uma enquete? Acharia o máximo saber o que pensam disso!

Você está namorando?

Não. Não tenho tempo para me dedicar a alguém. Gosto de romance. Nunca fiquei por ficar. Adoro me apaixonar.

Recentemente, numa homenagem que fizeram a você no “Faustão”, seu filho contou que você costuma agir conforme seus personagens. Quais são os mais parecidos com você?

Sempre teve muito de mim neles. Claro que eu sou eu, mas você acaba pegando uma coisa ou outra. De todos, a Bárbara não tem absolutamente nada a ver comigo. Ela é divertida, debochada. Eu é que trago um pouco dela para a minha vida. Não o caráter, claro, e sim esse humor que ela tem.

Ela vive rodeada de filhos adotivos, enquanto você teve apenas um. Gostaria de ter mais?

Queria ter tido mais. Sou filha única e seria legal o Theo ter um irmão. Até dois anos atrás pensei bastante nisso, mas ele está em outra fase. E nem seria questão de idade, mas de energia mesmo. Gostaria muito de passar novamente por essa experiência de gravidez. Tenho um lado maternal muito forte. E o Theo foi sempre tão tranquilo, saudável. Sinto saudade de um bebê. Nos intervalos (de gravação), coloco todos eles no colo, chamo de filhos...

Como você pensa na criação de um filho atualmente? Com lida com problemas como violência e drogas?

Essa é a grande angústia de um pai atualmente. Acho que antigamente as regras eram mais claras, mas a sociedade também era mais rígida, não havia diálogo. Minha mãe sofreu horrores por ter sido colocada num colégio interno. Hoje você tem que ficar muito atento. Se já está difícil para nós, imagina quando tem alguém que depende de você. Mas graças a Deus Theo nunca deu trabalho. Eu é que aprontava por nós dois.

Como foi a sua infância?

Sempre fui moleca nas brincadeiras de criança, mas estudava muito, era rígida, séria, tinha os sentimentos muito intensos. Com o tempo é que entrei mais no humor. Sou capricorniana, né? A gente já nasce com 80 anos. Às vezes me sinto gagá. Mas sempre tive muita sede de vida, de conhecer gente, me colocar em risco, de desafios.

Sua estreia na TV aconteceu em ‘Mandala’, em 1987, com 21 anos. Você sempre quis ser atriz?

Tomei essa decisão com 16 anos. Na verdade, queria ser médica. Com 20 anos, cheguei a passar um tempo num hospital, na Europa, e pude assistir a partos, operações. Mas também gostava muito de mímica e dança, de me expressar corporalmente. Ainda estudei flauta transversal e canto. Mas aí fiz um teste para uma peça (“Romeu e Julieta”) do (diretor) Antunes Filho e acabei ficando, bem antes de começar na TV. Talvez, hoje, eu teria feito a faculdade de Medicina. Disso tudo, acho que ser atriz é o mais difícil, já que eu sou o instrumento.

Fonte: http://migre.me/fVcqE