Giulia Gam critica ditadura da beleza: 'Vejo atrizes cada vez mais magras'

27/08/2013 18:06

Em entrevista exclusiva, atriz ainda afirma que não incentiva o filho a seguir carreira artística: 'Vou desestimular ao máximo porque, se tiver que ser, vai ser'

Giulia Gam esteve recentemente no palco do Domingão do Faustão e foi surpreendida ao descobrir que estava no Arquivo Confidencial. Não lhe faltaram risos, emoção e gratidão diante dos depoimentos, como o do filho Theo e do ex-marido Pedro Bial. Nos bastidores do programa, a atriz conversa com o site do Faustão com exclusividade sobre carreira, imagem, beleza e família.

Ao falar sobre Bárbara Ellen, sua personagem em Sangue Bom , a primeira cena da novela logo lhe vem em mente: “Ela entrava causando um impacto muito grande. Descia as escadas, com todos os clichês possíveis, um pouco 'hollywoodiana'. A personagem já tinha que acontecer na primeira cena". A intérprete da vilã da novela das 19h não esconde o orgulho de se dedicar tanto ao trabalho: "Fiz pilates porque senti que, de certa maneira, eu tinha que subir a minha energia, puxá-la para cinco, seis, sete tons acima. Eu chego a estudar cinco ou seis horas nos dias mais intensos". E conclui: "Acertar a medida não é muito fácil no começo, então, eu fiquei muito feliz de ver que deu certo. É algo que me exige, mas estimula".

Ela garante que procurou não se assistir antes da estreia e teve um impacto positivo com o resultado: "Quando assisti ao primeiro capítulo, eu não me reconheci. Não quis assistir antes para não ter crítica porque não estava muito segura, ainda estava tentando achar a personagem. Tinha medo de olhar para o meu rosto e não me convencer. Prefiro ver quando estou mais segura, quando não estou mais tão misturada nesse embate interno da construção". E, sem medo de se jogar de cabeça nos trabalhos, diz: "Às vezes você pode confundir de você estar bonita na televisão, mas a minha briga é qual é o conceito que a gente tem que criar para que a personagem funcione".

Antes de voltar para a televisão, Giulia surgiu mais magra e se mantém em forma desde o início de Sangue Bom. Apesar de se achar melhor com uns quilinhos a menos, afirma que fez por ela mesmo, não pelo trabalho. "Acho que existe sim uma ditadura. Vejo atrizes cada vez mais jovens muito magras. É uma preocupação muito grande em estar magra e acho que o mercado exige isso. Afinal, a televisão, por uma questão técnica, deforma. Naquele momento, estava pensando mais na minha vida, já era um projeto meu de vida poder dar um tempo para mim, como ir à dermatologista e ter outros cuidados com o meu corpo, que não tem mais 20 ou 30 anos. Eu queria me sentir melhor comigo mesma. Fui na endocrinologista por uma questão de saúde e não fiz nenhum procedimento que fosse violento para emagrecer".

Sem problemas com a idade, a atriz, neste momento, não se sente incomodada com o corpo e nem teme o envelhecimento. Ela reconhece apenas que, com o passar dos anos, há cuidados maiores a serem tomados: "Você vai percebendo, por exemplo, que, ao emagrecer, sua pele não volta mais, fica flácida. Os medos vão aparecendo conforme você vai envelhecendo, mas isso ainda não é a minha preocupação. Meu corpo reflete muito meu estado de espírito e vice-versa. Nunca me apoiei muito na questão da estética, procuro algo mais saudável".

Ela também conta que, já com anos de carreira, não se vê fazendo loucuras pela profissão, como se arriscar fisicamente, preferindo usar dublês em cenas de ação. Além disso, evitaria ganhar peso: "Hoje em dia eu não engordaria mais por um personagem porque é muito difícil perder. Eu não preciso mais provar nada para ninguém, não tenho nenhuma necessidade de dizer 'eu fiz'". No mais, exceto engordar, revela que não se incomodaria em mexer no seu visual por uma novela.

Theo, filho da atriz com o apresentador Pedro Bial, recebe grande influência, já que tanto pai quanto mãe vivem no mundo artístico. No entanto, Giulia Gam prefere não incentivá-lo no momento a seguir pelo mesmo caminho. Ainda assim, o apoiaria caso soubesse de uma vontade do garoto de seguir carreira artística. "Uma vez ouvi alguém dizer: 'Eu vou desestimular ao máximo porque se tiver que ser, vai ser'. Eu acho verdade. É uma profissão que exige muita vocação, e eu entendo isso. É algo que não dá para criar. Se eu sentisse que o meu filho tem paixão, aí é inevitável". E dá um palpite: "Se o meu filho fosse ator, ele iria para um caminho de humor, ele tem outra sacada".

Fonte: http://migre.me/fSvEm