Giulia Gam encara personagem dramática em meio ao humor de "Ti-Ti-Ti"

11/08/2010 19:51

A atriz Giulia Gam diz que tem um ritual de preparação antes de incorporar a personagem Bruna de "Ti-Ti-Ti"

Apesar do jeito falante e agitado, Giulia Gam tem seus momentos de calmaria. Principalmente, quando está prestes a gravar as cenas de Bruna, sua personagem em "Ti-Ti-Ti", da Globo. É nessa hora que ela fica quieta e concentrada. "Tem todo um ritual. Tenho de entrar em uma outra vibração", conta a atriz, que garante estar mais tranquila por conta do novo papel. "Tenho falado mais calmamente. Minha personagem é meio flutuante", explica. Para ajudar mais no processo, Giulia elegeu algumas músicas que a ajudam na hora de encarnar Bruna. No celular da atriz, estão a trilha sonora do filme "As Horas", assinada por Philip Glass, e alguns títulos de Beethoven. "As músicas me emocionam e me inspiram. Ouço muito porque achei o filme maravilhoso. As histórias têm uma coisa de dor interna, contida, que não é exteriorizada", analisa.

E discrição é justamente uma das características mais marcantes na nova personagem de Giulia. Na trama de Maria Adelaide Amaral, Bruna é uma típica dona de casa que vive para cuidar da família. Mas a história do papel já começa trágica quando um dos filhos, Osmar, vivido por Gustavo Leão, morre em um acidente de carro logo nos primeiros capítulos. Como Bruna está fragilizada por ter acabado de retirar um câncer e está se submetendo a sessões de quimioterapia, todos resolvem esconder dela que o rapaz era homossexual. Além disso, dizem que o pai do filho de Marcela, Ísis Valverde, é Osmar. "Óbvio que isso vai causar uma tensão enorme e pode dar algo interessante", diz a atriz que, quando recebeu o convite para a novela, pensava que iria interpretar um papel completamente diferente. Afinal, em uma trama das sete, onde o assunto é moda e a maior parte dos personagens é de comédia, o que Giulia esperava era fazer, no mínimo, uma "perua". "Quando li a sinopse, falei: 'Não acredito!'. A primeira impressão que tive é de que minha personagem estaria doente, em uma cadeira de rodas", confessa. "Na verdade, a doença é para dar essa fragilidade ao papel", completa.

Como é o humor que conduz "Ti-Ti-Ti", Giulia demonstra cuidado para que Bruna não fique tensa demais. Tanto que nem quis saber que tipo de câncer sua personagem teve. "Estou feliz porque não é uma história sobre o câncer. Isso já foi mostrado antes, não é novidade. O foco principal do meu papel será a família", explica. Por conta disso, o trabalho de composição da atriz girou mais em torno das características psicológicas de Bruna. Assim, Giulia pode fazer com que o papel vá se moldando no decorrer dos capítulos.

Para equilibrar o drama, a caracterização foi fundamental. O figurino de Bruna é elegante, composto por vestidos clássicos e joias. "Bruna lembra, em um certo sentido, a Grace Kelly, um pouco pelo cabelo e pela roupa", compara, referindo-se à atriz americana, considerada um ícone de elegância. Giulia, inclusive, adora colocar o aplique nos cabelos para interpretar Bruna. Afinal, é quando está com o visual completo, que consegue incorporar de vez a personagem. "Na hora que boto o aplique, enrolo os cabelos e visto as roupas, já vem a postura", garante.

Com 23 anos de carreira na TV, Giulia enxerga o atual trabalho como um dos mais difíceis em termos de composição. Assim como foi com "Dona Flor e Seus Dois Maridos", minissérie exibida pela Globo em 1998. Ainda mais porque a atriz Sônia Braga já havia protagonizado o filme homônimo, em 1976. "Dona Flor tinha um cheiro de época, apesar de ser contemporânea. Eu precisava achar a minha Dona Flor e tinha de ter uma sensualidade minha", conta Giulia, que começou na TV com papéis de época, como a Jocasta jovem de "Mandala" (1987/88), a Luísa da série "O Primo Basílio" (1988) e a Aline de "Que Rei Sou Eu?" (1989). Esse último trabalho, aliás, é considerado um dos mais marcantes para a atriz. "Foi especial porque estávamos em 1989, na primeira eleição direta do Brasil, e fizemos quase uma crônica política", relembra.

(Por Luana Borges)

Fonte: http://bit.ly/vZFeNU