Giulia Gam sem medo dos desafios

06/01/2011 17:58

A atriz Giulia Gam fala sobre as dores e as delícias de interpretar uma personagem densa como a Bruna, de Ti-Ti-Ti, uma das mais difíceis de sua carreira

Ela não lembra nem de longe a sofrida Bruna Sampaio de Ti-Ti-Ti. Enquanto sua personagem é uma mulher que cultua o sofrimento, Giulia Gam é totalmente alto-astral. A atriz, de 43 anos, encara com maestria o papel da complexa ricaça. Na trama de Maria Adelaide Amaral, ela é a responsável pela maioria das cenas dramáticas.

Mãe de Theo, de 12 anos, fruto de seu casamento com o apresentador Pedro Bial, Giulia é contra o preconceito que sua personagem teve ao descobrir que o filho era homossexual. "O mundo já deu ponta cabeça e ninguém sabe mais de nada. Não sabe se é gay, bissexual, qual a nova família ou até mesmo se, em 2012, o mundo vai acabar. A gente não sabe qual é a regra", diz a atriz. 

Confira a entrevista que a MINHA NOVELA fez com Giulia Gam.

Como você descreve a Bruna?
É uma personagem que tem uma construção, uma composição. Apesar de nova, ela tem essa austeridade, uma formalidade incomum. Bruna tem um comportamento em relação à família de total dedicação ao marido e aos filhos. Ela é católica e realmente acredita que o homossexualismo é um desvio de conduta, apesar de não ter preconceito. Bruna acredita de verdade que Deus fez o homem para a mulher.

O que foi mais difícil na hora de compor essa personagem?
Pra mim, sempre é difícil um personagem de composição. Ela tem uma atitude muito diferente da minha na maneira de se comportar, de se vestir... Acho que assimilar as ideias dela, o gestual, a maneira de se comportar... Isso realmente foi o mais difícil.

Giulia Gam e Bruna Sampaio têm alguma coisa em comum?
Nada. Bruna é completamente diferente de mim. Em tudo...

Sua personagem é católica. E você?
Eu fui batizada. Acredito em Deus ou no nome que você quiser dar. Tenho fé que existe uma energia de vida que você pode chamar do que bem quiser. Eu estudei muito o hinduísmo. Antes mesmo de ter se tornado acessível como é hoje. Acho que existe algo além da nossa personalidade, que está conectado a tudo. A gente percebe que nada é por acaso. Eu acho que existe uma ordem no acaso (risos).

A atriz em cena com André Arteche: enfrentando o preconceito sexual

Como encara essa questão do preconceito que a Bruna tem contra o filho ser homossexual?
Essa é outra parte bem complicada porque, desde nova, convivo com todo tipo de pessoa. Eu não separo ninguém por categoria, do tipo esse é homossexual e aquele, não. Para mim, essa é uma parte realmente difícil... Pegar esse texto e criar uma verdade nele, porque, para fazer alguém acreditar no que eu estou falando, eu também tenho que crer de verdade nisso (risos).

Foi difícil encontrar esse tom preconceituoso dela?
Eu tento pensar como seria uma família que vive esse conflito. Hoje em dia é tão complicado. Eu busco famílias mais tradicionais como exemplo, porque o mundo já deu ponta cabeça e ninguém sabe mais de nada. Não sabe se é gay, bissexual, ou qual é a nova família ou se, em 2012, o mundo vai acabar (risos). A gente não sabe qual é a regra.

Fonte: http://bit.ly/qXLXZr