Giulia triunfa

21/04/2003 00:02

Depois de dez anos, ela volta às novelas, confirma o talento na pele da ciumenta Heloísa e comemora a retomada da guarda do filho

Heloísa pode até estar em crise. Mas na vida real Giulia Gam deu a volta por cima. A atriz, que interpreta a personagem enciumada de Mulheres Apaixonadas, experimenta uma felicidade que parece coisa de novela. Retornou aos folhetins depois de dez anos – o último papel foi a Linda Inês, de Fera Ferida, em 1993 – e conseguiu o que mais queria: ficar com o filho, Theo, de 5 anos. Depois de dois anos de disputas judiciais, ganhou a guarda definitiva do menino. “O convite para a novela coroou uma fase de grandes conquistas”, afirma.

O apartamento no Leblon – o mesmo bairro carioca em que o autor Manoel Carlos centra a novela das 8 – tem uma bagunça saudável, como qualquer lar em que vive uma criança. Giulia, aos 36 anos, está botando ordem na casa para ficar o máximo possível com o filho e encarnar a personagem Heloísa. “Manoel Carlos tinha me avisado de que ela era ciumenta, mas não imaginei que seria tanto”, conta.

Giulia percebeu a dificuldade do papel à medida que os capítulos iam chegando a suas mãos. Também leu Mulheres Que Amam Demais, da psicóloga americana Robin Norwood. Agora que o drama está ganhando espaço na trama, ela passa para a fase mais delicada. Em breve, a personagem vai se junta às Mulheres Que Amam Demais Anônimas (Mada). “Vou ouvir depoimentos gravados das freqüentadoras do Mada. Quero conhecer casos reais.” Giulia preferiu não ir pessoalmente às reuniões para não constranger as participantes, que contam com o conforto do anonimato para revelar suas histórias.

O grande temor da atriz era errar no tom. “Não posso ser muito dramática, para não exagerar. Mas tenho de dar seriedade a um problema que existe e é considerado patológico”, explica. Os ótimos índices de audiência – média de 40 pontos – e a reação das pessoas que a abordam  na rua provam que ela acertou  na mosca: Heloísa causa polêmica. Há quem diga que a personagem é louca e vai acabar sozinha. Outros sentem pena. Os homens, em geral, se assustam. “Ela não é boa nem má, é apenas uma mulher doente que precisa se tratar”, afirma a atriz.

Giulia foi, segundo os próprios colegas, a melhor escolha para o papel. “É extremamente competente e talentosa”, elogia Maria Padilha, que interpreta a irmã Hilda. “Encontrou o tom certo.” Gerald Thomas é outro fã. “Ela é a melhor atriz de sua geração”, jura. Thomas é suspeito: já namorou Giulia. Mas é também um dos diretores de teatro mais exigentes do Brasil, ao lado de Antunes Filho, com quem ela iniciou a carreira, em 1982, numa montagem de Romeu e Julieta. Depois disso, a atriz partiu para a televisão. Estourou em 1989 como a Aline, de Que Rei Sou Eu?, e fez filmes – como A Grande Arte, de 1991, e Policarpo Quaresma, de 1998.

Foi justamente quando estava fazendo cinema que Giulia viveu momentos difíceis. Casada com o jornalista Pedro Bial, ela participava de Outras Estórias (filme dirigido por ele, baseado em textos de Guimarães Rosa) quando ficou grávida, em 1998. A lembrança é de que houve um descompasso. “Eu estava totalmente voltada para o bebê. Ele estava feliz, mas tinha tido filhos antes. A novidade, para Pedro, era o filme.” Começou a crise que não passou por ciúme como acontece com a personagem da novela. “Os problemas foram outros”, explica.

“Sou o oposto da Heloísa: se sinto ciúme, fico quieta e aquilo me corrói. O que também não é uma reação saudável”, reconhece.

Após o nascimento de Theo, o casal se separou. Giulia foi para Nova York em 2000 e Bial entrou na Justiça alegando que ela havia levado o filho sem sua autorização. A batalha jurídica se arrastou até janeiro deste ano e teve final feliz: os dois entraram num acordo. Esbanjando sorrisos, tentando parar de fumar e de bem com a vida, a atriz avisa: “Fiquei muito tempo fora do ar. Mas agora todo mundo já está sabendo: estou de volta, pronta para recomeçar.”

Fonte: Revista Época

Arquivo Pessoal: Bia*

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