Oficina une vários teatros em Cacilda!
Os atores Marcelo Drummond e Giulia Gam
Cacilda Becker morreu, em 1969, pouco tempo depois de tomar uma decisão: ela, dama dos espetáculos dos anos 50 e 60, líder da classe teatral na resistência à censura do regime militar, resolvera aceitar o convite de Zé Celso Martinez Corrêa para encenar “A Gaivota”, de Tchekov, com o grupo Oficina.
Previa-se um encontro crucial para Cacilda e o Oficina, mas veio o derrame cerebral da atriz durante a encenação de “Esperando Godot”, seguido pelo coma demorado e a morte. O Oficina seguiu sua trilha radical. Mergulhou no “te-ato”, depois na crise. Sobrevieram a prisão, o exílio de Zé Celso, a volta, a espera pela retomada.
Agora, 30 anos depois, o grupo afinal encontra a estrela, a partir deste sábado, em “Cacilda!”, peça escrita por Zé Celso sobre o coma da atriz e sua adesão à “tragicomedyorgia”.
A peça funde o Oficina com um elenco de estrelas, oriundas de outros veios teatrais – Bete Coelho e Giulia Gam à frente, dividindo o papel-título. Além delas, Ligia Cortez (que interpreta a mãe de Cacilda e outros papéis), Mika Lins (a irmã Cleyde Iáconis), Yara Jamra (a irmã Dirce) e Renné Gumiel (Cacilda em coma).
Nem o elenco original nem as estrelas passam incólumes pela experiência, uma junção de todos os teatros (até o de Gerald Thomas) para submetê-los à bigorna do Oficina.
O primeiro ato, com Bete Coelho como Cacilda, é mais linear, biográfico, engraçado e emocionante. O segundo, em que Giulia Gam também atua, mostra um caos de personagens e mitos, relato histórico e delírio comatoso.
Pela primeira vez nos anos 90, uma peça do grupo tem, além do raro entusiasmo, o mínimo de meios técnicos – cenário, luz, som – e a qualidade do elenco capazes de temperar as energias que transbordam da forja de Zé Celso e seu séquito exuberante.
Fonte: Folha de São Paulo