Um apê feito de cores e afeto

03/12/2013 16:00

Com os tons da Bauhaus e muitas recordações, Giulia Gam montou seu espaço

RIO - As três cores primárias que inspiraram a Bauhaus, uma das mais importantes escolas de arte e design do mundo, permeiam, meio sem querer, a decoração da sala do apartamento de Giulia Gam, no Leblon. A atriz escolheu o azulão, o vermelho e o amarelo para dar cor a detalhes da sala, como as divisórias das prateleiras que hospedam seus (muitos!) livros. Uma pequena parede ganhou tinta do mesmo azulão. Nascida numa família de engenheiros e arquitetos, depois que viu o resultado foi que ela se deu conta: “Isso tem um quê de Bauhaus...”.

Giulia se mudou há um ano e diz que a casa ainda está em transformação. Após dez anos em outro apê, com terraço de 200 metros quadrados, num predinho antigo, ela decidiu ir atrás de um lugar mais prático. Para a transição, teve a ajuda do amigo arquiteto Sergio Menezes.

— Acabei optando por um apartamento mais convencional, “quadradinho”. E aí você precisa ter uma noção de dimensão, de proporção. O Sergio me ajudou muito, e é dele o projeto de marcenaria. O outro apartamento era mais emocional, este é mais racional.

Na mudança, Giulia teve que se livrar de muita coisa. Ela diz que foi um momento de síntese, de separar os objetos que ainda faziam sentido na sua vida dos que não faziam mais:

— O interessante disso é que tudo que está aqui ou tem uma função, ou valor afetivo. Até os meus livros são muito mais que volumes para leitura; a maioria carrega dedicatórias ou lembranças de uma época.

A tal parede azulona divide a sala de estar em dois ambientes: um de estar e outro de assistir TV. E, num aparador que fica nessa parede, uma cabeça de madeira é um dos objetos que são pretexto para um dedinho de prosa. Foi nas filmagens do longa “Árido movie”, no sertão de Pernambuco, que Giulia descobriu um senhorzinho que fazia esculturas incríveis com troncos de árvore. Vendia por mixaria, e ela brigou para pagar mais.

— Acabei levando duas esculturas e a equipe toda também comprou com ele.

No apartamento, outras obras de arte chamam a atenção: uma enorme tela do artista gráfico australiano John Nicholson, sobre o sofá; outra de Ivald Granato, presente do próprio pintor para Giulia,; uma obra de Galvão, misto de tela e escultura, toda branca, que se destaca numa parede cáqui logo na entrada, a tela sobre o bufê da mesa de jantar, feita em silk pela artista plástica Nicole Mouricade e uma pequena escultura em bronze de Caciporé Torres.

— Esse apartamento é alugado, tenho um próprio em São Paulo. E uma coisa que aprendi sobre decoração com o Fred D´Orey (empresário, dono da grife Totem) foi: em imóveis alugados, não tenha medo de ousar nas cores e em investir em telas. É que, afinal, se não dá pra deixar a casa do nosso jeitinho, pelo menos podemos personalizar os ambientes assim. As paredes podem ser pintadas de branco depois com facilidade e as telas a gente leva embora.

Uma passadinha pelo descolado quarto do filho adolescente, e a atriz conta empolgada o quanto quebrou a cabeça para dar lugar a suas pranchas, seus skates e sua rede, além de personalizar o lugar:

— Ganhei um spray dourado de brinde numa festa e disse pro Theo fazer um desenho numa parede. Me empolguei, comprei mais tintas e fizemos nosso próprio grafite — diz, mostrando a rosa feita de Lego que ganhou do rapaz num Dia das Mães e que, numa caixa de acrílico, enfeita o hall.
Fonte:  http://migre.me/gRPpu